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4 de maio de 2010

BRASIL: PAÍS DA MEDIOCRIDADE VIRTUAL

Esse artigo pretende expor como a internet é utilizada no país e a mediocridade dos internautas, já que o Brasil é o 9º quando se fala em mais pessoas conectadas na internet no mundo, com 67,5 milhões de usuários, e fica em média 48,26 horas por mês conectado. Do tempo on-line apenas 2,4% é dedicado a conteúdos noticiosos e 60% desse tempo é para redes sociais como o Orkut, que é o que mais possuí usuários brasileiros (71% são do Brasil), e para produtos da Microsoft, como o MSN.

Para o Ciro Marcondes Filho, no livro Suberciber: A civilização místico-tecnológica do século 21, a cibercultura faz com que se tenha “uma visão do mundo pequena, intelectualmente pobre e simplória”, com conteúdos fragmentados, genéricos e sem crítica [p.11]. Ou seja, quanto mais simples melhor para o internauta, ele não acessa a internet para absorver conteúdo, 29% dos acessos são voltados para a diversão, e quando o faz é da forma mais simples possível.

O internauta vive em um mundo em que não precisa fazer qualquer reflexão, não tem vontade de pensar, apenas se entreter em frente ao computador.

Marcondes ainda afirma que o problema da cibercultura é que os internautas dão mais valor a fenômenos isolados, um bom exemplo disso é o caso da aluna da Uniban, Geisy Arruda, que ganhou uma dimensão imensa na internet por ter ido com uma minissaia para a faculdade e sido escoltada por policias devido à alunos que a provocaram, esse caso isolado foi tão valorizado que acabou indo para a mídia televisiva e para as revistas.

Os fenômenos isolados entram no efeito borboleta comentado pelo Marcondes em que não se pode prever o crescimento de um fato quando publicado na internet, qualquer coisa por mais insignificante que seja pode criar dimensões imensas.

O homem se desliga do mundo e cria um mundo particular, não conseguindo romper as barreiras e mudar o que hoje é a cibercultura, se acostumando e acomodando-se nesse contexto virtual já estabelecido.

Para o Marcondes o homem usa a internet como válvula de escape do mundo real, criando várias personalidades, tanto em site de relacionamentos como em chats, com a idéia de que se multiplicando pode estar presente em todos os lugares e dominar tudo, o que explica os diversos perfis fakes (falsos) que encontramos nas redes sociais. É a capacidade do homem de poder se expor sem mostrar quem ele realmente é, criando várias máscaras para si mesmo.

O fato de a internet ser usada como escape do real é fácil de identificar só de entrar nas comunidades mais freqüentadas do orkut como por exemplo: “Me trata bem... Ou fica sem” (320.221 membros), “Eu não me acho, eu sou MESMO!” (768.416 membros), “Amanhã tem PROVA,e EU no Orkut” (704.273 membros). Esses são apenas alguns exemplos que além de mostrar a vontade de fuga mostra também a valorização de si, criando um mundo social simulado do que pode ser o real, fazendo com que os internautas vivam em mundos de fantasia perfeitos para eles.

O maior motivo dessa mediocridade e falta de interesse dos internautas pode ser pelo fato de que 63,5% deles sejam menores que 35 anos, dos quais 25,8% são menores de 25 anos. Ou seja, o causador do problema pode ser que a falta de pessoas mais velhas na internet faça com que as coisas mais simples dominem a internet.

As palavras mais pesquisadas em 2009 no Google foram: orkut, youtube, hotmail, baixaki, yahoo, globo, uol, tradutor, jogos e msn. Ao menos o portal UOl aparece nas pesquisas, mas não podemos esquecer que a UOL é o portal com mais acessos por causa de seus chats. Nem ao menos o Wikipédia (enciclopédia on-line feita pelos próprios usuários) aparece nas palavras mais pesquisadas, apenas coisas que se usam no dia-a-dia e que deveriam servir só para as horas vagas e não como o principal na internet.

O site da Google é o mais visitado no país o que de todo não é ruim, apesar de o Orkut e o Youtube pertencerem a ele. A Google possuí muitas ferramentas úteis para os internautas, como livros, notícias, grupos de discussão e até mesmo trabalhos acadêmicos, isso sem contar com as buscas que pode ser sobre tudo mesmo.
Apesar de terem acontecido terem acontecidos diversas coisas em 2009, como a crise financeira mundial e a gripe suína, quase nada sobre os assuntos foi pesquisado no Google, como sempre ele foi utilizado para aumentar cada vez mais a mediocridade do país.

Como já foi mencionado, a Wikipédia é uma enciclopédia virtual mas apesar disso a mediocridade não deixa nem ela escapar. As palavras mais pesquisadas nela em fevereiro de 2010 foram: Big Brother Brasil, Clube de Regatas do Flamengo, Viver a Vida (telenovela), Rede Globo, Santos Futebol Clube, Sismo do Chile de 2010, Lady Gaga, Sport Club Corinthians Paulista, Alma Gêmea. Analisando esses dados percebemos que a única coisa que realmente de notícia que interessou aos usuários foi o terremoto que ocorreu no Chile no início do ano, o restante das pesquisas chega a ser absurdo comparado com a quantidade de artigos (560 235 páginas de conteúdo) que a enciclopédia possuí sobre todos os tipos de assunto, além de que o Brasil é o oitavo colocado em artigos publicados no Wikipédia.

Concluímos então que a Wikipédia apesar de só vir aumentando os seus índices de audiência no Brasil ainda é necessário que os usuários saibam do quanto ela pode oferecer, o que só seria possível se eles deixassem de ser medíocres e se interessassem mais não só em descobrir o que acontece no mundo, mas também aprender sobre coisas novas.

Mas nem tudo na internet pode ser considerado tão absurdo assim. Muitas pessoas usam a internet para procurar emprego e os índices crescem muito para essa utilidade, de janeiro para fevereiro de 2010 o crescimento foi de 5,6% em sites relacionados a carreiras, mas os sites de relacionamento continuaram sendo os com maiores índices de audiência.

Não podemos culpar de todo os internautas com essa mediocridade que não tem como negar que ela existe.Os portais de notícias não conseguem fazer com que eles se sintam imersos em seu conteúdo, para Luciana Moherdaui a falta de hipertextualidade é um dos fatores. Ela faz com que o leitor queira saber mais sobre as coisas clicando em diversos links que levam a mais informação. Um bom exemplo de hipertextualidade é o Wikipédia que no decorrer dos textos utiliza de vários links para outros artigos para melhorar a compreensão.

O problema do uso da hipertextualidade é que muitos leitores se perdem, clicam nas palavras que desejam saber mais e acabam não lendo todo o texto, ficam com informações compactadas e incompletas.

O que começa a aparecer agora e que já ajuda muito na vontade dos internautas para lerem notícias é a interatividade que vai desde a capacidade de poder comentar as notícias como também enviar suas próprias notícias. Grandes portais já adotam essas interatividade e criam até grupos de discussão ou enquetes que chamam a atenção e fazem o usuário ser absorvido pelas notícias.

Mas esses dois elementos ainda não bastam para chamar a atenção e fazer com que os internautas dispensem um pouco do tempo do Orkut para acessar as notícias. Antes de tudo precisa-se entender a linguagem da web, os grandes portais ainda fazem notícias grandes que o leitor não tem paciência para ler tudo e acaba deixando de lado as notícias. As notícias de web têm que ser curtas e divididas em partes para facilitar a leitura. Caso o internauta se interesse pelas notícias ele provavelmente vai clicar em um link que a matéria contenha para saber mais sobre o conteúdo.

Outro fato importante a ser observado é que quase 25% dos internautas são menores de 25 anos, a falta de interesse por conteúdos noticiosos pode muito bem vir pela falta de incentivo dos pais para que os jovens se mantenham informados, consumo conteúdo e não fiquem apenas em coisas que não acrescentam nada na maior parte do tempo que eles ficam na internet.

A internet tem de tudo para ser a melhor ferramenta para divulgação de notícias e de conteúdos, mas não basta ela só ter a função de ser a mais rápida e mais prática para o usuário, o internauta tem que querer usufruir tudo que ele pode disponibilizar. Que não é o que acontece.

O homem se acomodou com a situação de a internet ser só distração, a válvula de escape, aquele momento em que ele quer se desligar do mundo e se divertir, mas é melhor todos os internautas começarem a pensar no quão medíocre isso os torna.
Os usuários da internet são pessoas vazias, sem senso crítico e sem conteúdo, porque se importam mais com conversas que não levam a lugar nenhum do que tentar fazer alguma coisa que acrescente em suas vidas e podendo até acrescentar na vida dos demais.

Precisamos de incentivo, não só dos portais de notícias mas principalmente dos pais que não influenciam os seus filhos a se interessarem pelo mundo que os cerca.

Caso nada seja feito o futuro será um país cada vez mais medíocre e com mais pessoas medíocres, fazendo até nos perguntar se o futuro do mundo não é a mediocridade ser a que vai predominar.

1 de agosto de 2009

Já que o porco está na moda...

Depois de verificar o vídeo que está no final do post, resolvi fazer uma pequena pesquisa e percebi que isso daria pra escrever um pouquinho aqui para o blog.

Antes de continuarem lendo, vejam o vídeo.

Verificando o site da Tamiflu nos efeitos colaterais, não existe nenhum comentário sobre problemas psiquiátricos, psicológicos, neuropsicológicos, convulsões ou delírios. O máximo de informação sobre os efeitos colaterais é que podem ocorrer naúseas e vômitos.

Já no site da Roche, conseguimos achar mais informações sobre os efeitos colaterais, só que aparece como sintomas menos frequentes. Se fosse realmente menos frequente teria provocado as mortes que fala no vídeo chegando a ponto de ser proibido no Japão?

Mesmo com esses riscos "a produção de Tamiflu foi aumentada para alcançar um resultado máximo de 36 milhões de kits por mês, equivalente a 400 milhões de kits de tratamento (4 bilhões de cápsulas) por ano".

É bom destacar que os casos de complicações que vídeo cita são em crianças e adolescentes, assim como também no site da Roche. Pode ocorrer de essas complicações aparecerem em adultos, mas é mais difícil de acontecer.

O pior é que o vírus H1N1 em uma criança ou adolescente já é mais complicado de se tratar, eles estão nas pessoas de risco quando pegam a doença. Então eu pergunto: Como usar um remédio que dá efeitos colaterais que podem causar a morte em um adolescente, sendo que ele já corre um grande risco se estiver com o vírus?

Segundo dois estudos britânicos, mais de metade das crianças que utilizaram o medicamente tiveram efeitos colaterais e com isso o seu uso foi suspenso na Grã-Bretanha.

Aqui no país, algumas cidades do sul começam até a quebrar o protocolo que indica o uso do remédio, porque o protocolo diz pra o uso ser em pessoas que tiverem maiores complicações. Mas segundo o próprio site da Tamiflu o remédio é indicado para o uso após 48h dos primeiros sintomas, ou seja, não adianta de muita coisa o uso se o paciente já está em estado avançado da doença.

Parece que não pode piorar as coisas pro medicamento não é mesmo? Mas pode sim. O vírus pode ficar resistente ao Tamiflu, fazendo nenhum efeito quando utilizado.

O problema é que o vírus H1N1 sofre modificações, tornando-se resistente ao medicamento que é utilizado, é um vírus como a AIDS, exemplo meio forte, mas é que o vírus da AIDS também evolui, por isso a dificuldade de achar uma cura.

Será mesmo o Tamiflu o mais indicado para se combater o vírus? Já foram mais de 50 mortes registradas por causa dos efeitos do remédio, o único que parece que lucra mesmo com tudo isso é o Donald Rumsfeld, já que o medicamento ta sendo consumido a rodo.

E por que fazer um post falando sobre o vírus da moda, sendo que tem mais gente morrendo de diarréia no mundo? Simplesmente porque tá na moda.

O melhor mesmo é seguir as orientações para se previnir, mas não entrar em desespero.

23 de maio de 2009

Cadê CD?

Por mais que se procure, a cada ano fica mais difícil achar lojas que os vendam, mas mesmo com a pirataria dominando ainda existem pessoas que gostam de tê-los nas estantes.

Com o avanço das tecnologias e principalmente da quantidade de músicas disponíveis para download na internet, cada vez menos as pessoas compram os CDs. A venda de CDs caiu 33,2% em 2007 sobre 2006 no Brasil (de 322 milhões para 215 milhões de unidades vendidas), segundo a ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Discos). Já o aumento de downloads de músicas em que se paga para as produtoras foi de 185%, entre esses mesmos anos. Atualmente, as músicas digitais representam 6%, pela internet, e 40%, pelos celulares, dos lucros das produtoras.

Mas o que predomina mesmo é fazer download gratuito de músicas e quem tenta impedir isso no Brasil é a APCM (Associação Anti-pirataria Cinema e Música), que começou o seu combate ano passado. Antes dela, quem fazia esse papel era a APDIF (Associação Protetora dos Diretos Intelectuais Fonográficos) que começou seu trabalho no ano de 2000. Desde o começo do combate a pirataria virtual até 2008 já foram denunciadas e fechadas aproximadamente 60 mil páginas que praticavam a pirataria.

Uma das páginas canceladas foi a comunidade Discografias, que estava em um site de relacionamentos. Nessa comunidade mais de 1 milhão de internautas publicavam e baixavam músicas gratuitas sem pagar os direitos para as produtoras, mas não adiantou muito fechá-la, pois no mesmo dia em que uma comunidade foi cancelada, outra foi aberta e com o mesmo nome.

O dono da produtora Baratos e Afins, Luiz Calanca, 56 anos, trabalha há 31 anos com música e nesse tempo já lançou 104 vinis, 65 CDs e 30 que não levaram o selo da produtora. Desde o começo dos CDs, ele não foi muito a favor, pois a qualidade das músicas diminuíam muito. Segundo ele, “Hendrix foi feliz de morrer antes do CD”, porque a tecnologia assassina a obra dando mais importância para a aparência, tanto que só se consegue ouvir guitarra nos CDs do Hendrix.

Ele acredita que o CD ainda não morreu, mas que está agonizando já que poucas pessoas ainda dão valor para o CD e as que ainda compram, muitas vezes preferem as versões nacionais porque são mais baratas, mas tem qualidade inferior. Quando o assunto é download de músicas ele diz que não faz sentido ser gratuito já que essa é a única coisa que cantores e bandas podem vender. No inicio pode até ser bom para a divulgação da banda, mas depois de conseguir sucesso também começariam a cobrar.

Mas mesmo com toda essa facilidade dos downloads ainda existem pessoas que adoram ter o CD na estante, como por exemplo, a Tainã Braghin de 21 anos que sempre que pode compra algum CD pra sua coleção. Isso não a impede de baixar músicas, principalmente de bandas que não tem ainda CD para vender no Brasil, já que não impede a vontade dela de comprar.



Pra ela as pessoas não dão o mesmo valor às músicas quando elas são baixadas. As pessoas acumulam tanta música no PC que acabam ouvindo pouquíssimas vezes as músicas que baixam ou até nunca ouvindo. Segundo Tainá,“o gostinho que você sente ao comprar o CD novinho da sua banda favorita não tem comparação com o download! Você não vê a hora de chegar em casa com o CD pra poder ouvi-lo, ver o encarte, ler as letras das musicas...”.

Gustavo Frazato, 15 anos, inicia sua coleção e começou a dar mais valor ao trabalho de se fazer um CD depois que começou a tocar guitarra, pois percebeu a dificuldade de se fazer um. Ele usa o download como um meio de conhecer bandas e faz uma lista depois dos quais ele deseja ter na estante. O culpado de a pirataria ser grande, na opinião dele, é o preço, porque em bandas que divulgam seu trabalho de forma barata, o número de venda é alto e quase não se vê cópias clandestinas, já que seu público consegue ter grana para comprá-los.

Segunda a ABPD entre o ano de 1997 até 2005 o número de artistas contratados diminuiu em 50% e os produtos nacionais lançados em 44%. 80 mil pessoas ficaram sem empregos, isso pensando não somente em artistas e produtoras, mas também em comerciante. E a estimativa de perda na arrecadação de impostos é de 500 milhões de reais anuais.

“Não resta muito tempo para os CDs sumirem”, avalia João Victor, 14 anos, quando se comenta da queda de vendas. “Cada vez mais os CDs aumentam seus preços e os downloads aumentam na internet, não sei o que virá depois deles, mas acredito que logo não existiram mais”.

Uma das possibilidades do sucessor do é o HD-AAC, criado pelo instituto alemão Fraunhofer, que promete matar o CD que nos acompanha há mais de 25 anos já que grava as músicas sem perda de qualidade, mas para isso precisa esperar um pouco, o CD ainda não morreu mesmo.